3 de ago. de 2010

Sétimo mês do ano

Depois de uma viagem bem louca pra outro estado
(com o reggae da Neguinha pra animar,)
em um encontro com estudantes de todo o Brasil e
uma semana com uma rotina bem fora do comum, a convivência com sotaques e estilos bem diferentes uns dos outros, vozes e sons que se divertiam nas madrugadas,muitas histórias, filas gigantescas e passeios bem divertidos.A volta pra casa com rostos e corpos cansados. A alegria do abraço da mãe e alívio de voltar a dormir na minha cama.

A busca por novas experiências, a necessidade dos amigos e saideiras com eles. Livros clichês e livros bons, muito bons.
'Cadeira de férias' e a rotina menos virtual e mais real possivel.
O dia que, de uma forma não planejada, tornou-se inesquecível.
Pessoas que me marcaram e que não sabem.
Tardes de sono e música.
Email's e sms's bonitos, fofos.
A aceitação própria e a vontade de viver o que quero viver.
Não mais sobreviver.


Tchau, Julho de 2010, Você foi legal comigo.



remanescentes inesquecíveis

23 de jun. de 2010

Definindo o indefinível

-


sou várias interrogações:
uma definição.
feita de vírgulas:
sou interrupção.
criada com exclamações:
sou discrição, mansidão.
Em meio aos travessões:
sou silêncio.
Algumas aspas:
sou eu mesma.
Repleta de reticências:
sou um infinito.
um ponto final?
bem, não tenho um ponto final.


Gramática e vida


remanescentes.

10 de jun. de 2010

Poderia ser resto.

Certas considerações a fazer:

Não, não sou um anjo.

Você pode estar começando muito bem o seu dia: os passarinhos melodiando a manhã ensolarada e de céu azul; um vento frio pra acalmar(algo bem raro nessa cidade quente); disposição para estudar em um dia de aulas relativamente chatas, enfim, começar bem o dia...
até o ônibus parar em um sinal e meus olhos verem uma mulher, quase senhora, agachada num calçada juntando terra (sim, terra!)do chão e comendo, sua primeira,e talvez a única, alimentação do dia.
Eu não consigo, eu fujo, fecho os olhos, olho pro chão,não consigo.
A visível indiferença do olhar não revela o imenso peso do coração, a total raiva do mundo, de mim, de tudo. Talvez seja a atitude mais covarde, mas não é indiferença.
Nas refeições feitas durante esse dia, me vem a cena de volta, eu a vejo ainda, pegando terra e mastigando com muita vontade, sem cara feia, tentando aliviar a fome de mais um dia na sua miserável, necessitada vida.
Pensando bem, foi um péssimo dia.


Poderia ser resto

2 de jun. de 2010

entre aspas

"De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir."
(Caio F. Abreu; vulgo: O cara)




remanescentes

18 de mai. de 2010

Casulo




Meus olhos se assustam com essa metamorfose.
E essa mente dubia confunde mais, perturba mais, questiona mais.
Já não tenho medo do escuro.
Abri as correntes e meu coração saiu correndo, feito um desavisado,
perdi o controle. Sinto-me viva.
Mas, como uma sirene que alerta, meu cérebro avisa:" Tudo o que você planta, você vai colher".
Já não sou mais a mesma.
Outras letras querem compor o repertório da minha vida. Mas sei que preciso de muito mais que lindas canções,mais que novos ritmos. Tiro o fone do ouvido.
Não escuto minha voz, mas ela grita, ela chama, ela clama...
sinto o mundo cruel.
Minha alma revolucionária pegou o controle, ligou a TV e sentou no sofá. Perdi a vontade.
Mas ainda me resta a Fé; é ela que me mantém, ela me faz ainda acreditar.
Me faz Esperar?? Não mais...
Quero tirar o pé do freio, acelerar e não olhar pro lado, pra não correr o risco de ser tentada a desviar o caminho. Mas, para onde estou indo??Acho que perdi o mapa.
Não sou mais a mesma.
É uma mudança estranha, mas uma mudança real.
Metamorfose.


remanescentes de mim

17 de mai. de 2010

Vícios

Acabei de ler mais um livro de Jostein Gaarder, que como sempre, me surpreende, me encanta com suas cartas inseridas no enredo, desenvolvendo uma história de ensino filosófico, magia, fantasia, e muitas verdades, muitas verdades.
Trechos de O dia do Curinga


"Eu gostaria tanto de pensar um pensamento que fosse tão difícil que eu não conseguisse pensá-lo. Mas não consigo" (nove de ouros)

"O que está dentro da caixa revela o que está fora, e o que está fora da caixa revela o que está dentro"

"Quem quer entender o destino, tem de sobreviver a ele" (Rei de espadas)

"Como é que se escapa do cárcere escuro e profundo da consciencia? Que tipo de escada se usa para isso?"(Curinga)

"Nada é tão complicado e tão possessivo quanto um ser humano, meu filho.Apesar disso, somos tratados como futilidades baratas"

"Percebi que os olhos de Frode também se encheram de lágrimas. E nesse momento entendi que nenhuma de suas criaturas lhe dizia tanto ao coração quanto aquele pequeno amotinador"

"Sempre é preciso cantar a regra antes de cortar o monte de cartas" (curinga)

"Não dá pra alterar com a mão o curso de um barco em movimento"

"Pois maior do que tudo é o amor. E nem o tempo nem de longe consegue apagá-lo com a mesma rapidez com que apaga as lembranças"



remanescentes de uma "curinga"

27 de abr. de 2010

"Ainda não passou"

Da admiração, a simpatia,
da simpatia, o carinho,
do carinho, a paixão,
da paixão...enfim.

Ela o queria perto,ele se fez presente.
Palavras, muitas palavras.
Verdades ditas, sinceridade.
Entrega, exposição do mais íntimo.
Aconteceu.

Ele a queria próxima, ela se esforçou.
Expôs verdades, medos,meias palavras.
Entregou-se,venceu barreiras.
Viveu.

Mas vieram os poréns, os contras, os 'nãos'.
Impossibilidades a os cercar.
Distância. Medo,insegurança.
Vontades

Tudo ganha uma nova forma; molda-se a felicidade.
Um novo sentido, um novo caminho.



Razão segurando nossas mãos. Tudo poderia ser mais fácil.
Mas nós somos dificeis. Um com seus estigmas; outro com seus bloqueios.
Pausa.

Ficamos por aqui. Sem saber qual o próximo passo;
sem querer que o outro sofra.


Somos uma incógnita.
Mas sabemos o que queremos.
Eu te quero bem, você me quer bem.
Nada mais precisa ter sentido;
afinal o amanhã não existe.




não é resto.